BAŁWAN – WROCŁAWIANIE SNOWMAN
2004 – Intervenção na paisagem / Performance
Neve
Aproximadamente 20 m (figura humanoide)
Academia de Belas Artes de Wrocław, Polônia
Dizem que, no inverno, quando a neve cobre tudo por igual, certas formas começam a surgir. Corpos improvisados, erguidos como um pequeno ritual coletivo por mãos humanas. Bonecos de neve.
Na Polônia, Bałwan também é o tolo. O ingênuo. Aquele que se expõe.
Foi a partir dessa ambiguidade que aceitei o desafio de me expandir.
Durante dois dias, ocupei o pátio interno da academia, visível desde os vitrais da escadaria. Recusei os materiais propostos e trabalhei com aquilo que já estava ali, silencioso e abundante: a neve.
Com o corpo em movimento, desenhei uma figura humanoide de aproximadamente 20 metros. Não um boneco no sentido tradicional, mas um símbolo. Um corpo reduzido ao essencial, quase um pictograma, inscrito no chão.
Uma presença que só se revelava por inteiro a partir do olhar do outro, de cima, à distância, em trânsito.
Ao mesmo tempo, eu me tornava parte do que acontecia. Um bałwan em ação. Meio artista, meio tolo. Exibido. Observado. Disponível.
Era aí que a obra se construía.
A expansão não estava apenas na escala da figura, mas na exposição do processo. No tempo dilatado do fazer. Na relação direta com quem passava. No convite silencioso para acompanhar não só a execução, mas também o desaparecimento.
Nos dias seguintes, novas nevascas cobriram a figura. O que era presença virou relevo. O contorno virou memória. Com a mudança da estação, tudo desapareceu.
Como se tivesse cumprido seu papel.
Como se o simbólico e o mito se fizessem e desfizessem no mesmo gesto.
Talvez seja isso o bałwan.
Não uma figura. Uma inscrição.
Uma passagem.

Bałwan (pron. báu-van /ˈbaw.van/) é a palavra polonesa para boneco de neve, mas também designa o tolo, aquele que se expõe ao ridículo. Entre a ação lúdica coletiva e o julgamento, nomeia uma figura feita para aparecer e desaparecer. Aqui, opera como duplo: corpo expandido e gesto efêmero. Presença que se oferece ao olhar do outro enquanto aceita, desde o início, dissolver-se.
Trabalho desenvolvido no contexto do M.A. em Scenography – Central Saint Martins College, London Institute, como parte de um programa de residência artística internacional, a partir da proposta “Enlarge Yourself”.





